Capela Sistina: um tesouro do Renascimento e da Arquitetura

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Como artista plástica realista não poderia deixar de escrever sobre este tesouro do Renascimento e também da arquitetura, a Capela Sistina.

Mas o que podemos entender por Renascimento?

Renascimento foi a redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica, que conduziram as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que caracterizaram o final da Idade Média e boa parte da Idade Moderna.

A Capela Sistina foi construída entre 1473 e 1481 mas inaugurada somente em 1483. A Capela  levou o nome do Papa Sisto IV della Rovere (pontífice 1471-1484).

Como vocês sabem a Capela é tradicionalmente o local onde ocorre  a eleição do Papa, e uma curiosidade é que tem as mesmas dimensões do fabuloso Templo do Rei Salomão, e o projeto é de Baccio Pontelli.

Júlio II della Rovere (pontífice 1503-1513), sobrinho do Papa Sisto IV, decidiu alterar, em parte, a decoração da Capela, confiando o trabalho em 1508 para Michelangelo Buonarroti, um pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.

Michelangelo fez este trabalho obrigado pois achou que foi uma combinação maliciosa de seus rivais para desviá-lo da obra para a qual havia sido chamado à Roma: o Mausoléu do Papa. Michelangelo  considerava a pintura uma arte inferior. Ele gostava mesmo era de esculpir.

É difícil acreditar que tenha sido obra de um só homem, ele aceitou pouquíssimos aprendizes, que montavam andaimes, preparavam pigmentos, limpavam pincéis e ampliavam os originais que o gênio desenhava em menor escala.

Ele retornou novamente ao local, duas décadas depois, e pintou na parede do altar o maravilhoso Juízo Final, também uma obra prima encantadora.

Michelangelo utilizou uma técnica chamada afresco, em que a pintura é feita sobre uma argamassa de cal e areia. Ele teve que estudar muito bem as figuras que iria retratar, pois este tipo de trabalho seca muito rápido, o que exige pinceladas muito precisas e bem planejadas.

Um dos toques de genialidade de Michelangelo foi cobrir os 680 m² do teto da capela com uma única composição de várias cenas do Antigo Testamento, da Bíblia.

Muitas vezes Michelangelo trabalhava deitado mas na maior parte do tempo ele trabalhava de pé olhando para cima, o que lhe causou muitas dores. Meses após o serviço, tinha dificuldade em baixar a cabeça para ler. Precisava colocar o texto acima dos olhos.

Depois de 500 anos, desenhos de anatomia humana foram encontrados por dois professores  da Universidade Johns Hopkins nos afrescos da Capela Sistina.

Michelangelo era aluno de anatomia humana, e dissecou cadáveres durante sua vida.

Uma representação do cérebro humano e do tronco encefálico, parece ter sido desenhada no pescoço de Deus, mas nem todos os historiadores de arte conseguem enxergá-la.

Já em 1990 um médico descreveu o que viu como uma interpretação do cérebro humano na “Criação de Adão”, um painel que mostrava Deus tocando o dedo de Adão.

Outro médico, professor de medicina da Universidade de Baylor, publicou um artigo numa revista médica em 2000 sugerindo que Michelangelo havia incluído uma pintura de um rim em outro painel de teto.

E o último achado seria na pintura de Deus, com uma veste vermelha, é visto de baixo, e parece estar subindo aos céus. Seus braços estão acima da cabeça, e Ele está olhando acima à Sua esquerda, expondo o pescoço e a parte inferior de uma barba curta. É aqui que os autores do estudo, o ilustrador médico Ian Suk e Dr. Rafael J. Tamargo, um neurocirurgião, acreditam que Michelangelo escondeu um desenho da parte inferior do cérebro e do tronco encefálico, com partes do lóbulo temporal, da medula e da ponte e outras estruturas claramente desenhadas.

Algumas pessoas não conseguem enxergar estes “símbolos” e vêem somente a beleza e o encanto das pinceladas precisas, com cores harmoniosas, a luz e sombra perfeitamente pintadas para darem volume ao figurativo estampado no teto da Capela Sistina.

Com todas as dificuldades que enfrentou na época posso afirmar que quando entramos na Capela Sistina, temos a sensação estarmos próximos a Deus, e podemos sentir uma energia positiva vindo das pinturas maravilhosas deste gênio do Renascimento: Michelangelo.

Pesquisa/Fonte: Vatican Museums The New York Times
Ana Bittar
Artista Plástica

As cenas retratadas são:

Deus separando a Luz das Trevas – Deus criando o Sol e a Lua – Deus separa a terra das águas-A Criação de Adão – A Criação de Eva – Pecado Original e a expulsão do Paraíso – Sacrifício de Noé – Dilúvio Universal – Noé Embriagado